Cães e depressão, quando um cão quieto demais pode ser preocupante?

Muitos acontecimentos podem desencadear um problema psicológico no ser humano, como acidentes, perda de entes queridos, abandono, entre outros, e com nossos animais o cenário não é diferente. Um animal que experimenta a solidão por ter sido abandonado ou por passar muito tempo sozinho em casa pode chegar a ter um quadro depressivo e/ou estereotipia, os quais, além de causar muita dor, podem ocasionar a sua morte.

Alguns tutores não possuem o conhecimento de quais doenças e distúrbios mentais os animais podem sofrer e acabam negligenciando as atividades físicas, brincadeiras e momentos de atenção ao animal, não tendo consciência do quanto isso pode ser prejudicial aos animais e impactar na vida do próprio tutor.

Um cão, por exemplo, pode apresentar diversas patologias decorrentes da depressão. As mais comuns são a falta de disposição para interagir com outros animais e humanos, agressividade, perda de interesse nas atividades e no ambiente, o hábito de chorar e uivar sem nenhum motivo, a queda da afetividade, apatia, movimentos mais lentos e incontinência urinária e fecal. Além disso, assim como os humanos, o sono do animal pode aumentar ou diminuir de forma considerável.

Nos casos em que a depressão ocorre devido a transtornos neuroquímicos, ou seja, de dentro para fora, ela é classificada em endógena. Já quando acontece devido a problemas externos, como traumas, ela é classificada como exógena. Não há indícios de que uma raça específica possua maior propensão à depressão, pois ela está presente nas mais variadas linhagens. Entretanto, alguns motivos podem desencadear a depressão em animais, tais como:

Separação: A separação entre cães ou cão e homem, traumatiza o animal e gera comportamento depressivo e destrutivo, principalmente se o animal fica sozinho por muito tempo;

Luto: Assim como nos, os animais sentem a perda e falta do ente querido, seja seu tutor, uma criança muito próxima ou mesmo outro animal;

Mudança: alterações abruptas, como mudança de residência ou inclusão de novos membros na família, podem levá-lo a um quadro depressivo;

Gravidez psicológica: a onda de hormônios pode levar o animal a interpretar a gestação mesmo sem a fecundação, fazendo com a cadela desenvolva o instinto materno e ocorram mudanças no seu comportamento. É um distúrbio mais comum em cadelas não castradas;

– Estresse e traumas graves: um ambiente hostil, conflitante e insalubre pode trazer traumas ao animal e contribuir com a depressão.

Alguns animais, devido à idade, apresentam sintomas da Síndrome de Disfunção Cognitiva, como deterioração das capacidades mentais, comportamento repetitivo, desorientação e perda do interesse em se relacionar com humanos e outros animais. Ao notar esses sinais e outras anomalias, o tutor deve procurar um profissional apto ao diagnóstico e, se a síndrome for confirmada, deverá ser criado um plano para modificar esse comportamento e o ambiente em que o animal vive. Em casos mais severos, pode haver a necessidade de medicação.

É importante sempre ter conhecimento sobre o que fazer ao notar anomalias e sobre como tratar os animais. Quando seu animal apresentar algum comportamento fora do padrão, seja por algo físico ou psicológico, é preciso recorrer a um veterinário. Entretanto, em casos em que há a suspeita de depressão, é recomendado que o tutor busque um etólogo ou veterinários especializados em comportamento canino, para que juntos consigam determinar a causa e perseguir a melhor forma de ajudar o animal, seja através de enriquecimento do ambiente ou outras medidas.

Meu cachorro está depressivo o que fazer?

Como mencionamos acima, caso perceba que seu animal esteja abatido, com sintomas claros de uma possível depressão é preciso leva-lo ao veterinário para descartar uma possível doença física no animal e ter o melhor tratamento para ele e somente o veterinário pode determinar o diagnostico do animal e receitar um tratamento, seja com ou sem medicação.

Porem, como sempre afirmamos no AgendAnimal, prevenção é o melhor remédio. Assim dedicar 30 minutos do dia para brincar e fazer atividades com seu animal pode ajuda-lo a evitar um quadro depressivo e diversas outras doenças. Já que cães são animais sociais e precisam se sentir incluído no grupo. Mas lembre-se: faça atividades e brincadeiras que estejam adequadas a idade e condicionamento físico do animal, jamais o force.

Outros pontos podem ser levados em considerado em consideração, como:

– Adotar um novo animal, caso seja possível e não traga mais danos a saúde do cão, é uma decisão que deve ser tomado com muita cautela;

– Evite deixar seu animal muito tempo sozinho, se você precisa ir trabalhar e ficará muito tempo fora de casa, busque uma casa alternativa, como algum amigo ou familiar que seja habituado com o animal e ele se sinta confortável;

– Para evitar a gravidez psicológica, castrar as cadelas é extremamente recomendável;

– Busque um profissional para ajudar a criar atividades para seu animal.

Lembre-se de que prevenir é a melhor forma de combater doenças, distúrbios e qualquer outra mazela que seu melhor amigo poderá ter, cuide do seu bichinho com carinho e busque ajuda de profissionais adequados para que ele tenha uma vida confortável ao seu lado.

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